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Um corpo que sente se contradiz - não há completude

  • Foto do escritor: Juliana Miliatti
    Juliana Miliatti
  • 18 de mai. de 2023
  • 1 min de leitura

Já dizia Clarissa Corrêa: "O principal fica sempre protegido. Entre parênteses ou dentro do peito."


Tentamos enfrentar e proteger o que sentimos nos contradizendo. Na clínica Psicanalítica é importante que que se pontue para o sujeito essa contradição.


Por exemplo: "(...) outra analisanda diz que pede a opinião dos pais com frequência antes de fazer uma escolha, pois considera que a experiência deles pode contribuir para a resolução de sua dúvida. Ela também afirma que não precisa do parecer alheio, já que é adulta e tem condições de tomar decisões sobre si."


Tenta demonstrar uma ideia de independência e que não precisa do parecer alheio, mas logo depois fala sobre sua posição em relação ao outro.


Ou seja, a verdade para a Psicanálise não combina com a verdade para a lógica. Muitas pessoas relatam: "a psicanálise está ultrapassada", mas o que explicaria então os relatos clínicos atuais de vários profissionais?


Mesmo que o analisante tente justificar depois o que falou é sobre a fala não controlada que incide a escuta.


Os efeitos a partir disso são muito surpreendentes e o sujeito passa a lembrar sobre outros acontecimentos e sobre sua posição diante o mundo.


Afinal, todo sujeito neurótico que sente em algum momento há de se contradizer.


(RABELO, 2022)

 
 
 

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